domingo, 23 de junho de 2019

STF tem a chance de honrar a memória de Teori

"Visto como obstáculo pela Lava Jato e morto em circunstâncias até hoje não esclarecidas, Teori Zavascky, incomodava Sergio Moro particularmente por repreendê-lo pela quebra ilegal do sigilo da presidência da República", diz o colunista Gustavo Conde. "Talvez, nunca antes, na história do poder judiciário, uma Suprema Corte tenha se curvado tanto a um juiz de primeira instância"
A morte de Teori Zavaski
Por Gustavo Conde, para os Jornalistas Pela Democracia - Assim como a própria Lava Jato, a reportagem do The Intercept sobre a Lava Jato tem fases. E a fase atual é a da ‘parceria’. Repórteres do site liderado por Glenn Greenwald consideram o lote de troca de mensagens entre procuradores e juiz um ‘bem público’ e, portanto, pertencente ao universo da informação brasileiro. 
Na presente fase, a reportagem traz mais algumas informações sensíveis do submundo judicial brasileiro. Entre falsos filigranas e conluios explícitos, a troca de mensagens entre Moro e Dallagnol continua assombrando pela não cerimônia promíscua entre juízo e Ministério Público. 
O grande escândalo que a reportagem mostrou e continua mostrando é, a rigor, a mesma: a intimidade técnica, política, semântica e conceitual entre duas partes que jamais poderiam ostentar tal casamento em comunhão de delitos. 
No lote compartilhado com o jornal Folha de S. Paulo, no entanto, há um detalhe sórdido a mais: a menção a Teori Zavascki, ministro do Supremo Tribunal Federal, responsável pela Lava Jato naquela corte, enseja preocupações adicionais com o nível de conspiração presente na Operação. 
Visto como obstáculo pela Lava Jato e morto em circunstâncias até hoje não esclarecidas, Teori Zavascky, incomodava Sergio Moro particularmente por repreendê-lo pela quebra ilegal do sigilo da presidência da República - o episódio do vazamento para o Jornal Nacional da Rede Globo em que uma ligação, protegida pela Constituição Federal, entre o ex-presidente Lula e a então presidenta Dilma Rousseff, foi oferecida covardemente como “prova” de autofavorecimento a Lula – e que bloqueou a nomeação do ex-presidente como ministro-chefe da Casa Civil. 
Ao se referir a Teori nas mensagens divulgadas pelo The Intercept / Folha de S. Paulo, Moro diz a Dallagnol: “é melhor não nos metermos nisso”. 

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