domingo, 22 de outubro de 2017

O futuro incerto de uma gestão com foco no passado

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Por Gutemberg Dias
Quem pensar em administrar a máquina pública apenas com jargões ou ações pirotécnicas exacerbadas não logrará sucesso. O tempo em que as constas públicas aceitavam desaforos se foi e os gestores precisam entender essa nova quadra econômica e, sobretudo, administrativa.
Há alguns anos era muito cômodo assumir qualquer administração pública. Muito dinheiro nas contas, pouca fiscalização dos órgãos reguladores e povo menos esclarecido. Hoje é totalmente diferente e o gestor precisa ter a consciência que ele não mais administra para ele como era no passado.
Olhando para a gestão municipal de Mossoró fica muito claro que a atual gestora – Rosalba Ciarlini (PP) – trabalha com o modelo das suas ultimas três gestões. A forma de administrar não foi alterada, haja vista, que as práticas administrativas continuam as mesmas do passado.
Para comprovar isso, basta ver que desde que a prefeita assumiu a gestão não fez nenhuma mudança estrutural relevante.
Na realidade uma mudança foi feita, ou seja, recriou a Secretaria de Cultura e ampliou os cargos em comissão para atender essa nova estrutura. Destaco que considero positiva a retomada da secretaria, mas não concordo com o quantitativo de cargos criados.
O discurso da crise continua sendo a desculpa mais plausível para uma gestão que precisa urgente de ajustes. Atualmente, o município não tem capacidade de investimento e, dessa forma, obras estruturantes que foram o carro-chefe das gestões anteriores, incluída aí as inúmeras praças, não tem como serem materializadas.
Só resta um caminho: cortar na própria carne ou caminhar para um descontrole sem volta das contas públicas, como vem acontecendo no Estado do Rio Grande do Norte e em muitos municípios pelo Brasil. Essas mudanças trarão ônus à gestão sem nenhuma dúvida. Será que a prefeita está disposta a fazer isso agora num ano pré-eleitoral?
Por isso que venho defendendo uma discussão ampla da gestão municipal com os servidores públicos. Digo isso, pois inexoravelmente será preciso discutir com as categorias que compõem a administração pública uma saída de consenso. Se assim não for, todos sairão perdendo num futuro bem próximo.
É preciso que a gestão tenha coragem de fazer grandes mudanças, principalmente, nas áreas de saúde, educação e desenvolvimento social, as quais tem maior demanda financeira, assim como as que tem maior receita vindo das transferências constitucionais. Tem que começar as mudanças pelo atado e não no varejo.
Durante o pleito eleitoral de 2016 o discurso era que tínhamos uma terra arrasa e que precisava ser reconstruída. Houve promessa de “reforma administrativa”, revisão de contratos celebrados pelo então prefeito Francisco José Júnior, enxugamento de despesas e eficiência.
De lá para cá já são quase dez meses de gestão e a terra arrasada continua do mesmo jeito. Apenas as vozes que ecoavam esse discurso se calaram.
Boa parte da militância política e ativistas sociais que estava na Internet condenando problemas da gestão anterior, simplesmente desapareceu ou agora defende o indefensável. Saltou para o outro lado, mas o problema não pode ser escondido indefinidamente debaixo do tapete virtual.
Nos dias de hoje a administração pública é para poucos. Na bonança qualquer um se torna um grande gestor, porém é nos tempos de vacas magras que se conhece um verdadeiro administrador.
A leitura que faço é que essa gestão a frente prefeitura caminha, a passos largos, para se tornar um segundo grande problema na vida pública da prefeita Rosalba Ciarlini. Ainda tem tempo de reverter, mas para isso é preciso que ela tenha coragem de romper com o modelo arcaico de gerir a coisa pública.
Mossoró pela sua pujança econômica e seu posicionamento geográfico precisa ser gerida de forma profissional, tendo foco no desenvolvimento sustentável e com vistas a criação de um novo ciclo econômico para garantir a retomada a médio e longo prazo da economia.
Ampliar o diálogo com a sociedade e, sobretudo, com os servidores é um caminho a ser trilhado. Bem como, medidas duras e austeras precisam ser implantadas para que o município não se torne insolvente.
Penso assim!
Gutemberg Dias é graduado em geografia, empresário e ex-secretário de planejamento de Mossoró

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