quinta-feira, 6 de dezembro de 2012

Aécio Neves, o candidato do PSDB

senador aecio neves
Para disputar a Presidência da República, Aécio Neves precisa ocupar um cargo que lhe permita maior visibilidade. O mandato de senador, por si só, é insuficiente para mantê-lo na mídia como está desejando. Ele cita o exemplo de Eduardo Campos, que projeta sua imagem muito mais como presidente nacional do PSB do que como governador de Pernambuco. Exagero. Campos não conseguiria a imagem que conquistou apenas como presidente nacional de partido político, caso sua administração fosse considerada medíocre. De qualquer forma, uma coisa completa outra e, no momento político atual, será importante para o senador Aécio presidir o partido que, além de ser a principal ofensiva contra o governo do PT, possui mais condições que o Democratas, partido que se encontra em queda livre de esvaziamento.
Em seu terceiro mandato presidencial, o Partido dos Trabalhadores tem enfrentado crises que teriam derrubado qualquer outro governante. Com a grande imprensa divulgando ou fabricando escândalos diários, o partido sobreviveu ao processo do "Mensalão", elegendo prefeitos de importantes cidades, a começar por São Paulo. Não conseguindo envolver o ex-presidente Lula nas complicações, tenta explorar possível envolvimento sexual do ex-presidente com funcionária do escritório da Presidência da República em São Paulo. Apesar de todo esse bombardeio diário, todas as projeções sinalizam para a reeleição da presidenta Dilma nas eleições de 2014. Isso mostra que a estratégia oposicionista continua fora do contexto, sem conseguir sensibilizar o eleitor.
O ex-presidente Fernando Henrique colocou corretamente as necessidades da oposição. Em primeiro lugar é preciso entrar na briga de ideias, como ele próprio definiu o projeto que defende. É preciso combater a corrupção, disse ele, mas isso não terá importância eleitoral, se o PSDB não conseguir apresentar um projeto de governo, de acordo com o que desejam as novas camadas da sociedade. Se quiser voltar ao poder, o PSDB terá que partir para a ofensiva, evitar os erros cometidos no passado e sensibilizar outros partidos políticos que confiem na proposta tucana. Os temas mais explorados serão os relacionados à saúde, onde o acesso está cada vez mais precário, e à educação, onde as escolas existem mas são precárias.
Mesmo concordando com tudo, o senador Aécio Neves preferiu adiar o anúncio de sua candidatura, mesmo pressionado por FHC para iniciar de imediato sua campanha. A partir de maio de 2013 será eleito presidente nacional do PSDB e percorrerá todos os estados brasileiros. No partido terá que superar algumas resistências, entre as quais a do ex-governador José Serra, que preferiu não participar do encontro em que Aécio teve seu nome lançado por FHC e pelo atual presidente do partido, deputado Sérgio Guerra. A maioria dos aliados não acredita mais em possibilidade eleitoral de Serra, no caso da disputa presidencial, e faz pressão para que Aécio oficialize o seu nome para essa candidatura, o mais rápido possível. Não será uma tarefa fácil, daí a sua cautela.

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