domingo, 27 de maio de 2012

Para refletir – SONS DO SILÊNCIO

Neto Queiroz
Para refletir – SONS DO SILÊNCIO
 Um rei mandou seu filho estudar no templo de um grande mestre com o objetivo de prepará-lo para o futuro. Quando o príncipe chegou ao templo, o mestre o mandou sozinho para uma floresta. Ele deveria voltar uma semana depois, com a tarefa de descrever todos os sons que ouviu na floresta.   
Quando o príncipe retornou ao templo, após uma semana, o mestre lhe pediu para descrever todos os sons que conseguira ouvir.   
Então, disse o príncipe: "Mestre, pude ouvir o canto dos pássaros, o barulho das folhas, o alvoroço dos beija-flores, a brisa batendo na grama, o zumbido das abelhas, o barulho do vento cortando os céus...".   
Ao término de seu relato, o mestre pediu que o  príncipe retornasse à floresta e ficasse mais uma semana. 
Apesar de intrigado, o príncipe obedeceu.
Por dias e noites, ficou sozinho ouvindo, ouvindo, ouvindo, mas não conseguia distinguir nada de novo além daquilo que havia dito ao mestre. “Deve haver algum barulho a mais, algo que eu ainda não ouvi, algo diferente”, pensava o jovem. E aguçou os ouvidos para ouvir o que até aquele momento não ouvira.
Porém, certa manhã, começou a distinguir sons vagos, diferentes de tudo o que ouvira antes.  
E quanto mais prestava atenção, mais claros os sons se tornavam. Uma sensação de encantamento tomou conta do rapaz. Sem pressa, ele ficou ali ouvindo e ouvindo, pacientemente.  
Ao retornar, disse: "Mestre, quando prestei atenção, pude ouvir o inaudível som das flores se abrindo, o som do sol nascendo e aquecendo a terra e da grama bebendo o orvalho da noite...".
O mestre, sorrindo, acenou com a cabeça em sinal de aprovação e disse:  
"Apenas quando se aprende a ouvir o coração das pessoas, seus sentimentos mudos, seus medos não confessados e suas queixas silenciosas, uma pessoa pode inspirar confiança ao seu redor; entender o que está errado e atender as reais necessidades de cada um”.   

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